quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uma casa autosustentável

Ideias interessantes obtidas num site francês, cujo link deixo aqui.

A casa fica no Languedoc, perto de Aix-en-Provence, França.

Para acabar com as facturas da água, gás e eletricidade, esta "nova família rural" usa forno solar ou a lenha (alternadamente), aquecedor a lenha, água bombeada da fonte próxima, eletricidade produzida por 4 painéis fotovoltaicos (o suficiente para as necessidades básicas, se não se usar  máquina de lavar, forno e calorífero elétricos, aparelhos cujas resistências consomem muito). Para mover uma máquina de lavar, adaptou um sistema com pedais - ver imagem.

Talvez a maioria não possa adotar a totalidade das ideias, mas pelo menos algumas delas  são praticáveis.
Gás metano produzido a
partir dos resíduos orgânicos






Aquecedor a lenha com tijolos
refratários para uma boa difusão
Lavabo de água potável bombeada da fonte
Máquina de lavar  roupa adaptada
movida a pedais

Forno solar, alternativa simples
para cozeduras leves




segunda-feira, 24 de junho de 2013

à procura de sugar man

rostos bonitos de raparigas  sonhos claros no ar.  um menino velho  perfil negro   cambaleante    em contraluz no puro branco da neve. cidade de detroit:   prédios contra o sol-poente de inverno     coleção de tótens índios a arder  pessoas simples   borboletas limpas na paisagem   onde ninguém quer ser   quem não é.  o fantástico músico   desconhecido aqui   idolatrado lá     onde chora-a-terra-bem-amada de mandela.  o operário feliz  veste-se como príncipe   para limpar casas sujas   disse alguém:  o artista é um ser superior   faz de cada ato beleza quotidiana.   rostos limpos     pura emoção    não escondida em palavras   nem em nada:   só o orgulho de se ser quem é   tão pouco nas mãos.  negro perfil de menino velho cambaleando pela neve.   a cidade anoitece em  contraluz





Em exibição no cinema King, Lisboa. Realizador: Malik Benjelloul; co-produção sueco -americana, 2012.

Um conselho: vá uma hora antes, tome um café e um doce ou um salgadinho no bar, enquanto numa poltrona lê um livro da editora Chiado que expõe no local centenas de títulos, muitos deles novos, e realiza frequentes sessões de autor - pode ter a sorte de apanhar alguma.
Mas nada de entrar na sala do filme com comida ou telemóveis ligados... Quem assiste é cinéfilo à moda antiga e gosta de assistir à obra sem ruídos. As salas são tradicionais, mesmo só para ver filmes - comer e beber é no bar...

NOTA (18-05-2014): Quando, regressado a Portugal, há uns meses atrás tentei ir ao cinema King, deparei-me com o espetáculo desolador dum espaço fechado à espera aparentemente de quem o compre ou alugue. Sinais do tempo, numa Lisboa onde têm fechado várias salas de cinema e livrarias de cultura. 

Nem faço comentários, a não ser que está em curso um movimento contra a venda do cinema Londres a uma loja chinesa - fica perto do King, e era um bom espaço, sim, mas passava quase só filmes do circuito comercial -  e ninguém se mobilizou contra o fecho do King, que apenas passava filmes de qualidade do circuito alternativo. 
É a noção de cultura modernaça de certa gentinha.
:(


mais textos poéticos na pág. 2

mais cinema na pág. 8

sábado, 22 de junho de 2013

FANTÁSTICA LISBOA

(Notas de um lisboeta adotivo que assume uma atitude não apenas elogiosa mas, por gostar muito da cidade, uma atitude também crítica, fruto de tanto percorrer as suas ruas e ruelas)

Vídeo (clique na imagem em cima) que dá uma ideia diferente desta que é uma das mais cosmopolitas cidades do mundo (*).  Com, por exemplo, um mosaico de gastronomias que vão desde a Ásia - Nepal, Tibete, Índia (Goa...), China e Japão (mesmo...!), Tailândia - até ao Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, México, Cuba, Chile, Argentina, passando pela Alemanha, Itália, Espanha (diferentes regiões), Rússia, Turquia, Israel, França, Inglaterra, Irlanda, eu sei lá... e, claro, todas as regiões nacionais bem representadas, em humildes tascas ou restaurantes chiques, guardando tesouros culinários das suas terras de origem.

Mas este é um vídeo em busca da vida animal na natureza. Bem intencionado, é no entanto permeado de  alguns equívocos. Podia ter visitado um dos vários e seletos jardins botânicos (ver links abaixo) e as suas espécies exóticas, bem no coração de Lisboa, ou os golfinhos do Tejo, que regressaram após a despoluição que beneficiou o rio, ou o maior oceanário da Europa, ou fazer uma viagem rápida no comboio suburbano até ao fabuloso e único parque natural de Sintra, aproveitando para comer um "travesseiro" com chocolate quente na bela vila romântica tão elogiada pelo poeta inglês Byron.
Palácio de Monserrate - Sintra
Mosteiro dos Jerónimos e jardins de Belém junto ao rio Tejo

Duas notas quanto ao vídeo mencionado acima:

1 - PARQUE FLORESTAL DE MONSANTOÉ de facto um grande parque florestal, sim, mas divorciado de Lisboa. Melhor existir, do que não? Sem dúvida. Podia estar mais bem tratado? Concerteza. Começando por proibir torres-antenas das operadoras de telemóveis junto a zonas de lazer e de desporto e ainda, melhorando:
- as zonas de fruição já existentes, com estímulos aos privados para mais serviços, e às associações culturais para novas atividades (v.g. teatro ao ar livre)
- os acessos aos circuitos de caminhada, corrida e enduro;
- as instalações para râguebi e outras modalidades alternativas (o G.D. de Direito, campeão nacional, treina ali, sabiam?) 

2 - ESPAÇOS VERDESParabéns Câmara Municipal por concretizar o sonho do arquiteto Ribeiro Teles de abrir o corredor verde ligando o coração da cidade (Marquês) ao seu pulmão  (Monsanto), passando perto desse outro ex-libris que é a Gulbenkian. Trata-se duma trilha pedonal e ciclovia que - em sonhos pelo menos -  marcará o início da devolução do verde roubado à cidade.
Porque essa é a realidade:  apesar do muito arvoredo pelas ruas e dos seus belos jardins pequenos e médios, apesar da omnipresença do Tejo, do mar, de Monsanto,  Lisboa é desprovida daqueles gigantescos  espaços verdes integrados na cidade, onde se chega de metro diretamente, como o Regents park (Londres), o Central park (Nova Iorque), ou as Tulleries (Paris).

E é pena. Lisboa tem quase tudo o que essas grandes cidades têm e ainda... algo mais: a humildade e o humanismo tão próprios dos portugueses.

(*) Aliás, sobre esse lado cosmopolita e humano, há tanta coisa:

- CINEMA ALTERNATIVO. Um circuito de cinema não-comercial - Medeia Filmes, 7 salas nos shoppings Monumental  e Fonte Nova, além do City (cine+bar), do Nimas  - e, improvavelmente para um shopping de luxo, a  UCI do El Corte Inglés, onde há  sempre um bom filme entre muitos à escolha em salas supercómodas;

- RESTAURANTES VEGETARIANOS, dos quais recomendo, como sérios e baratos, o Yin-Yang e o Tao (na baixa), o Tibetanos (R. do Salitre), o Espiral (à Estefânia) e o Bem-me-Quer (na Almirante Reis);

- BARES, no Bairro Alto, na 24 de Julho, nas Docas ou no Parque das Nações, além de muitos outros espalhados pela cidade, com música de todo o tipo e ambiente para todos os gostos e níveis. Recomendo o Xafarix (em Santos), o Pavilhão Chinês (sobre o Bairro Alto, imperdível), o Havana Lounge (parque das Nações, salsa), En'Clave (Rua Sol ao Rato, caboverdiano), o Caldo Verde (Bairro Alto, fado vadio), Pintaí (largo Trindade) e Última Ceia (Av. Infante D. Henrique), os dois últimos de música e comida brasileiras.

- CIRCUITO DOS JARDINS, A não perder: Parque das Conchas (Lumiar), Jardim Botânico da Univ. Lisboa (R. da Escola Politécnica), Príncipe Real (perto do anterior, mas com um bom restaurante...), Estufa Fria (zona protegida dentro do parque Eduardo VII), Jardim da Estrela (Estrela), parque do Monteiro-Mor (anexo aos museus do Trajo e do Teatro, Lumiar), o Jardim Botânico Tropical (Belém), o Jardim Botânico da Ajuda (Inst. Sup. de Agronomia - Ajuda),  jardins de Belém (frente à fábrica dos pastéis do mesmo nome), e o extenso Parque Tejo (Parque das Nações - zona oriental).

- JOGGING NA BEIRA TEJO. O melhor para praticar jogging, mais despoluído e central, é mesmo a zona em torno da Central Tejo / museu da Eletricidade, perto do monumento das Descobertas e da Torre de Belém (na foto, em cima), apesar de, infelizmente, a Câmara de Lisboa ter "plantado" por ali uma ciclovia que quase ninguém usa - nem sempre o que parece ecológico e prático o é (aquela zona possuía anteriormente um longo estacionamento ribeirinho). Lisboa é uma cidade  atlântica e europeia, fria na maior parte do ano. Junto ao rio, está-se bem é no quentinho do carro, em boa companhia, olhando o sol-poente, ou o reflexo das luzes no rio, à noite. Pena que o António Costa, presidente da CML, nunca experimentasse essas sensações e prefira umas idiotices pseudo-modernas, retirando aos lisboetas a última zona de estacionamento da cidade que lhes permitia fruir gratuitamente o seu rio.

Velhos hábitos autocráticos de séculos, governos que se serviram da população da capital sem a servirem nunca, mentalidades que vai levar tempo até serem atiradas borda fora.




sexta-feira, 31 de maio de 2013

Novo método de cura contra o cancro

Método aplicado na Fundação Champallimaud, de Lisboa, permite reduzir o tratamento a uma única sessão, fazendo um TAC e logo a seguir a radioterapia, teleguiada com precisão pela nova aparelhagem. Menores prejuízos e incómodos, pelos ganhos em rapidez, com elevado benefício  para o paciente com cancro,

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/tratamento-inovador-da-fundacao-champalimaud-nao-e-o-mesmo-do-barreiro-1520301




Apenas em Portugal e em mais quatro países está disponível este tratamento inovador.





cogumelos com forte poder antibiótico

Biólogos da Universidade Católica do Porto em cooperação com o Instituto Politécnico de Bragança acabam de descobrir a componente dum certo tipo de cogumelos – particularmente abundantes em Trás-os-Montes – com grande potencial antibiótico. capaz de neutralizar estirpes de vírus hospitalares resistentes a todos os antibióticos atualmente existentes. Tais vírus matam milhares de pessoas anualmente mesmo em países desenvolvidos. Muitas pessoas entram no hospital com doenças ligeiras e acabam infectadas por esses perigosos vírus com efeitos fatais. Eles existem em todos os hospitais e são quase impossíveis de eliminar.



http://www.publico.pt/ciencias/jornal/identificados-compostos-activos-nos-cogumelos-contra-temivel-bacteria-26496868







domingo, 26 de maio de 2013

festa popular (Portugal-Oeste): da gente para a gente

A outra face do país real, a que não passa nos media, a do país que trabalha e produz, a do sentido gregário que se sobrepõe à crise.

Nesta época, Verão adentro, milhares de festas populares (chamadas apenas de "convívios", para as quais se é convidado em cartazes toscos colocados na estrada) em quase todas as comunidades locais. No Oeste (e não só...) a tradição é assar o porco num local público. Depois, cada família traz um doce (pudim, leite-creme, gelatina...), rissóis, croquetes, pratos típicos, distribuídos sobre uma grande mesa. Vinho, pão saloio, febra do porco assado e música popular são à discrição. Servidos com amizade e sorrisos. Mesmo para quem vem de fora: "sirva-se, amigo, não paga nada, só se quiser ajudar a coletividade (Associação Cultural, Desportiva e Reacreativa da Coutada, no caso) - só se quiser".

Um toque quente de humanidade, sem pretensões, quotidiana, prosaica, por entre a tempestade gélida duma crise que alguém inventou.

É por isso que Portugal é diferente. Para melhor.


Hoje, na Coutada (entre Torres e Ericeira), 25 de Maio de 2013. Amanhã é no Barril, a 5 km - almoço coletivo - prato típico: porco à Barril - precedido da benção dos animais domésticos

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O bom e o mau pão - um texto interessante

Eis um interessante texto no Português do século XIX / início do XX. Para além do pitoresco da forma linguística - que talvez os detratores do acordo ortográfico gostassem de ainda hoje usar, já que são tão apegados ao tradicionalismo - o que ressalta é a diferenciação entre os vários tipos de pão. Exalta-se o "pão completo", como se chamava então.

O melhor do texto é a explicação detalhada das componentes dos vários tipos de pão. Com uma ou outra consideração errónea - como a referência ao leite como alimento completo, que evidencia que a mania de que o  leite faz bem já vem de trás (confira o erro aqui) - mas em relação à natureza dos vários tipos de pão é no essencial corretissimo.

Do pão completo - hoje, pão integral - diz o texto que o deveríam usar todos os que façam bastante trabalho físico e possuam um aparelho digestivo resistente, enquanto o pão rústico ou saloio ("trigueiro") é favorável a quem se dedique a esforços intelectuais e a quem seja propenso a diarreias. Infelizmente,  o pão integral aparece muito adulterado pelos supermercados, que vendem uma mera falsificação com esse nome. Apenas nas lojas dietéticas se consegue obter o verdadeiro pão integral, muito mais compacto e pesado que o famigerado mas viciante pãozinho branco.




terça-feira, 7 de maio de 2013

Tomada elétrica a energia solar

Il suffit de coller cette prise électrique portable à votre fenêtre pour commencer à utiliser l'énergie solaire!

Nous voyons sortir beaucoup de chargeurs solaires de nos jours. Et c'est la première fois qu'un tel objet va sortir et probablement nous allons certainement courir l'acheter dès qu'il sera disponible. C'est une prise électrique portable qui tire son énergie du soleil. Vous branchez sur une fenêtre au lieu de la prise dans le mur. C'est facile !

Slon les concepteurs, Kyohu Song et Boa Oh: «Nous avons essayé de concevoir une prise portable, de sorte que les utilisateurs peuvent utiliser intuitivement, sans formation particulière», écrivent-ils.

Il est vraiment simple. La prise portable attachée à une fenêtre comme une sangsue à la peau humaine. Sur sa face inférieure, il dispose de panneaux solaires:
Les panneaux solaires pompent l'énergie du soleil. Le chargeur transforme cette énergie en électricité. Vous branchez le chargeur.

Encore mieux, le chargeur stocke cette énergie. Au bout de cinq à huit heures de charge, la prise fournit 10 heures d'utilisation. Vous pouvez l'utiliser hors de la fenêtre, le coller dans votre sac, et l'utiliser pour recharger votre téléphone avec l'énergie solaire, même si vous êtes assis dans une pièce sombre.

En savoir +
http://is.gd/fkiEYo

N'hésitez pas à partager cette info !

Uma tomada elétrica, inventada por  Kyohu Song e Boa Oh, extremamente simples e com autonomia para 10 horas de energia elétrica.

Foi concebida para ser usada por qualquer pessoa, sem requisitos especiais, bastando aplicá-la no vidro duma janela que receba sol. Possui um painel de células solares na face posterior que alimentam uma bateria.

Fonte: https://www.facebook.com/terre.envie

Nota: Também existem à venda em algumas superfícies comerciais, lâmpadas autónomas carregadas a partir da energia solar - a preço perfeitamente acessível - que se podem usar, por exemplo, com fins decorativos num jardim. Infelizmente, a luz que produzem é pouco intensa, e a sua durabilidade não é longa, estragam-se ao fim de poucos meses. Made in China, óbvio.

Desinfetante e odorífero caseiro



Colocar cascas de laranja ou limão num recipiente com vinagre branco, fechar e deixar macerar durante duas semanas.

Após isso, filtrar ou decantar o líquido e colocá-lo num pulverizador, pulverizando o ambiente da casa sempre que precise de eliminar maus cheiros.

Fonte: https://www.facebook.com/terre.envie

terça-feira, 9 de abril de 2013

cinema: Linhas de Torres (Wellington Lines) e Vermelho Brasil

Duas novas co-produções com significativa participação portuguesa, inclusive cofinanciadas pela RTP, sendo porém de notar que a parte francesa da produção (e também da realização, no caso de Vermelho Brasil) é marcante.

Passo a uma pequena análise, no segundo filme resumida a uma breve nota, dado que só pude assistir ao episódio final exibido na RTP, após o meu regresso a Portugal

Título em Portugal: Linhas de Torres (Wellington Lines, internacionalmente)
Género: Drama histórico
Produção: Paulo Branco, Portugal / França
Realização: Valeria Sarmiento
Argumento: Carlos Saboga
Ano: 2012
Classificação: Interessante ***

Portugal parece ter descoberto no filme histórico em coprodução - no caso com a França - um novo filão. Com vantagens e inconvenientes.

A vantagem é óbvia: a possibilidade de concretizar grandes produções, doutro modo inalcançáveis por orçamentos portugueses.

A desvantagem é que acabam por sujeitar-se a leituras históricas deformadoras.

O filme pretende retratar as invasões napoleónicas, focando-se na terceira, comandada por Massena em 1810.

De interessante nesta película, a vivacidade com que descreve o êxodo das populações e o desastre humanitário inerente. Seguramente muito aquém da realidade da fome, sangramento, doença e dor por que passsaram, é pelo menos uma tentativa de superar a vulgar visão militar duma invasão. Também interessante a tentativa dum olhar múltiplo, português, francês e inglês, usando personagens diversas, mesmo com uma espanhola metida inopinadamente na narrativa. Também interessante a focagem em personagens marginais mas enriquecedores da leitura, como esse português filho de francês que servira Napoleão mas acaba desertando para o lado português, desiludido com o jacobinismo. Ou do grupo de bandoleiros anti-franceses comandados por um exaltado religioso. Também de registar a marca negativa dada aos ingleses, um pouco tangencial embora, numa cena de violação sexual.

Mas no filme revelam-se fragilidades óbvias, como a concessão hollyoodesca a extensas cenas erótico-burlescas, pouco credíveis num contexto de caos bélico, com mortos, feridos e gente apavorada em fuga. Depois, uma visão claramente retórica heróíco-patriótica aqui e ali. A leitura política dos acontecimentos fica muito diluída, caindo-se na mera descrição militar e personalista do evento histórico. Finalmente, mesmo essa visão militar não retrata a complexa máquina que Wellington ergueu num curto período, logrando reconstruir o exército português na férrea disciplina britânica, usando castigos durissimos, e servindo-se também dum pioneiro sistema de comunicações por luzes e espelhos sobre torreões em linha - entre muitos outros detalhes das linhas de Torres Vedras que não figuram no filme. E quanto à visão personalista, sendo ela enriquecedora como referi acima, não substitui a necessária leitura global.

Também estranho - são as tais concessões inerentes a uma coprodução - que o filme tenha um título em Portugal e outro no exterior, este último com o foco apenas na figura de Wellington.



Quanto a Vermelho Brasil, o episódio a que asssisti realçava os méritos(?) franceses na tentativa de construir um império austral em 1564, apesar de completamente frustada por Portugal, mesmo com os escassos meios de que dispunha em comparação com o poderio francês. Se  o restante do filme for como estas cenas finais, a visão francófila  ofusca completamente a eficaz defesa portuguesa da então ainda incipiente colónia, só explicável pela boa ligação dos escassos povoadores portugueses às tribos indígenas.

Leituras como esta prestam um mau serviço à História, já bastante inquinada por interesses que foram levando a que, da parte brasileira como da portuguesa, por razões opostas, os relatos oficiosos acabem roçando frequentemente a incompetência e a mistificação mais delirante. Por exemplo, a maioria das Histórias brasileiras designam quase sempre os participantes locais em eventos (batalhas, motins) como "luso-brasileiros", mesmo quando o Brasil ainda nem existia enquanto colónia com esse nome pois era um conjunto de territórios separados. Do lado português, é também frequente uma visão pouco rigorosa dos acontecimentos, alternando entre o patrioteiro e a auto-punição. Um exemplo: a transferência da corte portuguesa para o Brasil - complexa operação que envolveu cerca de 15.000 pessoas, seus haveres, documentação, arquivos do Estado, etc., numa altura em que os barcos eram incipientes e movidos a vento, por isso mesmo tinha que ser (e foi) longamente planeada  - é quase sempre classificada nas Histórias brasileiras de "fuga em pânico" e como um evento vergonhoso.  Este relato falsificador não é devidamente contrariado pelos historiadores portugueses. Numa série histórica que decorre na RTP, aborda-se ambiguamente o assunto, dando um relevo descabido ao episódio da raínha aos gritos com os que a serviam. Triste, este tipo de abordagem pouco séria de um lado e doutro.

De notar, ainda a propósito de Vermelho Brasil, que o jornal Globo classifica o filme como brasileiro (?), ignorando o papel de Portugal e do produtor Leonel Vieira (realizador d' A Selva, ver aqui),  nesta coprodução francesa. A contrastar com o destaque que os media portugueses constantemente dão à produção cultural do "país-irmão" como por cá se designa (unilateralmente) o Brasil.


DIGIPUNCTURA - tratamentos para dores, etc.

PARA TODO O TIPO DE DORES, PARTICULARMENTE AS DOS JOELHOS




ENTORSES



O PONTO 7, NA BASE DO POLEGAR, PARA GARGANTA, TOSSE, RESFRIAMENTOS, CONGESTIONAMENTO NASAL, DORES MUSCULARES E CERVICAIS, DORES DE CABEÇA, BRONQUITES, ASMA, ACNE, DORES NO PUNHO, ETC.




BASE DO POLEGAR: MASSAJAR PARA OBTER ALIVIO EM CASO DE DORES DE CABEÇA, DENTES, GARGANTA, REGIÃO DOS OLHOS, ETC.



PARA DEIXAR DE FUMAR
Pressionar neste ponto do pé:


ou da mão:


segunda-feira, 1 de abril de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

Massificação humana e animal - para onde vamos?


 
Use o link abaixo para um espetacular vídeo sobre a produção de animais para alimentação.
E veja se concorda com esta ideia: será que somos assim tão diferentes deles, no final de contas, pelo menos a avaliar pelo tipo de vida e de alimentação que a maioria das pessoas pratica ?

segunda-feira, 11 de março de 2013

cinema português: A SELVA

Título: A Selva
Género: Drama
Realizador: Leonel Vieira
Ano: 2002
Classificação: Bom ****
Argumento: I. Almada e J. Nunes, sobre obra autobiográfica  de Ferreira de Castro


Ver ficha técnica detalhada, incluindo o trailer oficial português.

Realizador e produtor portugueses (Costa do Castelo Filmes-Lisboa), apoiados por entidades brasileiras e espanholas. Filmado in loco em Belém do Pará e na Amazónia, com protagonismo de Diogo Morgado, Maitê Proença e outros. O filme segue esse grande livro que é A Selva, de Ferreira de Castro, escritor português que viveu, enquanto emigrante na juventude, uma dura experiência na floresta amazónica de inícios do séc. XX. Onde a brutalidade das condições físicas, da insegurança, dos desejos e interesses mais primitivos se sobrepunham a quaisquer pruridos civilizacionais.

O filme é absolutamente rigoroso na fotografia e na direção de atores. Não inventa, nem se deixa diluir no paisagismo - fácil tentação na maravilhosa Amazónia - o que desfocaria o eixo da história do drama da transcendência humana levada aos limites. Se a película peca, é por ficar aquém do livro na força das emoções. Estou a lembrar-me da cena em que o assalariado, ante a quase ausência de mulheres na região, se satisfaz sexualmente numa égua. A repugnância da cena, poderosamente retratada no livro, surge apenas en passant no filme. Já, em contrapartida, as cenas de  prepotência feudal que recai sobre os trabalhadores são pungentes e muito bem retratadas na obra cinematográfica..

Como ponto mais fraco, a  quase ausência da problemática ambiental e índigenista o que, se se perdoa ao escritor
devido à fase em que produziu a obra, já não se desculpa (tanto) a Leonel Vieira, mesmo se em 2002 não estava tão claramente na agenda como hoje o assalto dito "civilizacional" à maior floresta húmida do mundo.


Ver mais crítica de filmes


sábado, 2 de março de 2013

PORTUGAL- A LUTA AMBIENTAL TAMBÉM FAZ PARTE DA LUTA PELA DEMOCRACIA

Neste dia 2 de Março, de grandes manifestações contra o desGoverno e a troika, vale lembrar os artistas que sempre lutaram pelos direitos básicos, incluindo os ambientais.

FAUSTO, com "Rosalinda"

Uma canção de 1976, quando tentaram construir uma central nuclear em Portugal. Luta que comemora,  a 15 de Março, justamente 35 anos.

Para os patetas que acham Portugal um país atrasado, anoto que o país domina a tecnologia e tem uma pequena central nuclear exclusivamente para fins científicos, a cargo do Instituto Tecnológico e Nuclear, desde 1961, em Sacavém, AQUI. O não ao nuclear  foi uma opção nacional, pela qual muitos se bateram e batem, destacando-se a persistência do prof. J. Delgado Domingos, do IST, principal escola de engenharia do país.

Rosalinda  foi um símbolo da resistência vitoriosa à construção da central na praia de Ferrel, junto à cidade de Peniche.


O grande FAUSTO ao vivo no CCB, final dos anos 90. Eu estive lá!       :)


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